É difícil determinar até que ponto você deixa de ser você e passa a se tornar um produto do meio em que está inserido.
Quando alguém entra armado numa escola e sai disparando em crianças inocentes, sem nenhum motivo aparente, nós costumamos analisar a ação como individual. Apenas o ato de matar, sem levar em consideração os fatores que a desencadearam.
Como ser social, o ser humano é fruto do meio em que vive. Eu não acho que exista nenhum tipo de pré-determinação ou PRÉ-disposição, sem que exista o fator desencadeamento.
O fato é que nós vivemos numa sociedade etnocêntrica, preconceituosa e tendenciosa. O pensamento de massa, disseminado pela mídia, além de alienar, cria uma série de estereótipos e novos cânones: existe uma religião superior, uma cultura superior e uma imagem superior – que deve compactuar com os padrões estipulados.
Sim, eu to mesmo falando da criança gordinha, baixinha, tímida, que, desde pequena, sofre bulling, e que vai crescer acreditando que é inferior ao colega de sala mais alto, mais magro e mais bonito. Não que esse seja um fator determinante pra transformá-la num assassino em potencial, mas é um agravante...
É muito fácil julgar o ato monstruoso, porque de fato é, mas isso nos isenta da culpa de tê-lo criado – o monstro. Isso mesmo, a partir do momento em que você é conivente com os valores que lhe são estipulados, e, quando esses valores acabam por gerar uma parcela de exclusos transtornados, a responsabilidade, para mim, é a mesma.
Somos co-autores do crime.
Ponto final reticente.
Vanessa Daiany.




